Morei um ano na Véstia

Por Itaiz Martins

Fiquei na Vestia um ano, com tia Florinda, Altair e Ayrton. Corria o ano de 1936. A casa da fazenda era parte em tijolos,  o resto em madeira.  A residência era freqüentada por ratos, vinham das matas ao redor, fixavam-se na casa e lá se reproduziam. A casa era desprovida de forro. Uma manhã acordei, fiquei um pouco mais  na cama. Vi  um rato, corria atrás  de uma fêmea  pela platibanda da parede junto ao telhado. Um terceiro roedor vinha em sentido contrário à dupla. O encontro dos bichos ocorreu quando estavam bem em cima de minha cama.

Brigaram,  um deles despencou e o seu destino era cair na minha cama.  De imediato, saltei da cama e corri para a sala anexa. O lugar tinha roedores em quantidade. Quando armava ratoeira, em madeira, era do tipo arapuca para pegar pássaros, chegava a prender  quatro roedores por vez. 

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A casa da Véstia, na parte em madeira, tinha a  fixação das tábuas junto ao solo  em vigas quadradas com arestas  aproximadas de trinta centímetros. Uma delas saia da casa, avançava no terreno, para futuro  aumento da residência. A um canto do terreno encontrava-se uma peça em madeira, componente de antigo engenho de cana, no formato de bacia. Coloquei a referida em cima da viga. Não notei que ela portava grande prego enferrujado. Corri e pulei o obstáculo por mim erguido. Bati a perna no prego. O patrimônio da Vestia  não contava com produtos de prevenção  contra tétano, picadas de cobras, escorpiões, etc. Na época, trabalhava com tio Lopes o senhor Ajax, um manipulador de sais minerais. Recomendou ele a ingestão de bicarbonato na água em larga escala.  Ao anoitecer comecei a ter febre.  Tia Florinda, que cuidava de mim como um de seus filhos, começou a chorar e disse “ele vai morrer”. Não fiquei assustado, mas curioso, pensei como seria a morte. Fiquei à espera de sua chegada. Ela não veio, ainda bem.

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