Árvore

A ÁRVORE DA FAMÍLIA

Igreja de Grão Mogol

Igreja de Santo Antônio em Grão Mogol – MG. para cuja construção muito colaborou Caetano Martins Pereira, inclusive com doação em seu testamento, como se pode ler abaixo.

Nesta pasta, subdividida em subpastas, são registrados os descendentes de Caetano Martins Pereira. É um trabalho dinâmico, sempre atualizado com novos dados. Não está organizado no formato mais sofisticado obtido com softwares de genealogia, porque isso exigiria um trabalho gigantesco, para o qual não teríamos o tempo disponível suficiente. As subpastas remetem, sempre que ocorra alguma pesquisa interessante, a páginas de outro local do site. A manutenção desta “árvore” conta com a boa vontade de dezenas de informantes da própria família, sem o que seria tarefa impossível construir e atualizar. Por isso pedimos a cada descendente que se disponha a colaborar, que nos envie seus dados de maneira que possamos identificar sua correta localização na estrutura. O Dr. Pedro Augusto Conde Lobo Martins, médico, residente em Belo Horizonte, fez e continua fazendo pesquisas sobre os ancestrais de Caetano Martins Pereira. Não vamos aqui tratar desses ancestrais. O trabalho dele será publicado em um livro, bastante aguardado por nós. Vai até à presença mais remota da família Martins Pereira no Brasil, no século dezesseis e inclusive às raízes mais antigas, em Portugal. Aqui, todos somos descendentes e é com esse espírito de união familiar que levamos a cabo o nosso trabalho e nossas pesquisas. Foi utilizada a mesma estrutura de itens adotada no livro “Memórias de Vó Aurora” em sua edição impressa. A cada filho, o seu código, único em toda a estrutura da árvore. Quando necessário haverá revisões, claro. Mas pretendemos que elas sejam minimamente de natureza corretiva, sempre que possível revisões por acréscimo. Ao filho mais velho, João Baptista Martins Pereira, é atribuído o código 1. A seguir apresentamos o testamento de Caetano Martins Pereira, arquivado no Cartório de Grão Mogol, com a listagem de seus filhos. Após essa listagem, a cada filho corresponderá uma subpasta, com a possibilidade de maior fracionamento ao longo da implantação do trabalho, caso se mostre vantajoso para maior claridade das informações. Agradeço o apoio de todos os que nos visitarem. Aguardo seus comentários.

Testamento de Caetano Martins Pereira
Arquivado no Cartório de Grão Mogol-MG

Jesus, Maria, José.
Em nome da Santíssima Trindade, Padre, Filho e Espírito Santo, em quem eu, Caetano Martins Pereira, firmemente creio e em cuja fé protesto viver e morrer mediante os auxílios de Deus. Este meu testamento e última vontade.
Declaro que sou Cidadão Brasileiro, honra que muito preso; que sou natural da Freguezia de Santo Antonio da Itacambira, filho legítimo dos finados Antonio Martins Pereira, e Donna Francisca Mariana de Paula; que fui casado com Donna Josefa Carolina Dias Bicalho, de cujo matrimonio tivemos dez filhos, dos quaes so existem os seguintes – João Baptista Martins, Gualter Martins, Doutor Joaquim Martins, Maria Vicencia de Oliveira Martins, Doutor Pedro Martins, Emidio Martins, Ramiro Martins, e Emygdia Martins, por cabeça de seu pai e meu filho Francisco de Assis Martins, hoje falecido; Assim mais tenho tido no estado de viuves os seguintes filhos – Gasparina filha de Anna da Motta; Filomeno Orlando, havido com Liocadia Munis – E assim mais com a dita Liocadia tive huma filha de nome Maria Balbina, aos quaes com os ditos meos filhos legitimos ja mencionados instituo herdeiros geraes e universaes dos remanecentes de meos bens e declaro que os referidos meos filhos illegitimos aqui instituidos são tidos com mulheres com as quaes nem hum impedimento canonico tenho.
Falecendo eu neste lugar desejo que meo corpo seja involto em habito preto, acompanhado pelo Parocho respectivo e que tenha por jasigo a Matriz, ou semeterio geral, tudo sem menor vislumbre de pompa ou vaidade.
Mando que se celebre por minha alma huma capella de missas, com a brevidade possivel e assim mais quero que se digão tres missas pelas almas de meos pais, e de minha mulher.
Deixo meia légua de terra em quadro na minha fazenda do Santo Antonio, tendo por centro a minha residência, ali com todas as suas benfeitorias para ser tudo isto disposto para pagamento de minhas dividas pelo maior preço que se puder alcançar em cujo produto se houver excesso será este repartido igualmente entre meus herdeiros aos quaes fica salvo direito de remirem os sobre ditos objetos para o dito fim.
Deixo a meo vaqueiro Dario Martins, hum quarto de léguas de terra no valor de trezentos mil reis, na dita minha fazenda e no lado esquerdo do córrego denominado Mathias Sanches, cuja medição começará do topo da Serra, ou remate da mesma pelo lado esquerdo do dito córrego abaixo, ahi onde der o quarto de légua; a latitude desta medição serve de extremidade ou limítrofe da fazenda dita do Sento Antonio a meos herdeiros.
O meu escravo Seriaco, seis anos depois de meo falecimento, dando a meus herdeiros repartidamente a quantia de hum conto de reis será liberto e quando no dito tempo não possa cumprir, meus herdeiros ceder-lhe-ão o tempo que julgarem conveniente para o cumprimento deste dever o que faço por annos que tenho ao referido escravo.
A minha escrava Sabina crioula, de idade quarenta e treis anos, term de dar-me quarenta mil reis para sua liberdade; e quando não o faça na minha vida, dando depois de meo falecimento, meo testamenteiro passar-lhe-á carta, e ainda, no caso contrario, deixo no arbitrio de meos herdeiros fazer a esta escrava o bem que lhe merecer.
Deixo de esmola para esta Igreja Matriz de Santo Antonio de Grão Mogol quantia de cincoenta mil reis, que a juízo do Parocho respectivo serão empregados, ou em paramentos para a mesma igreja, ou no andamento da obra da mesma igreja.
Deixo igualmente a quantia de vinte mil reis para os pobres mais necessitados desta Parochia.
Rogo em primeiro lugar a meu filho João Baptista Martins, em segundo a meu filho Gualter Martins, em terceiro a meu filho Doutor Joaquim Martins, em quarto a meu filho Doutor Pedro Martins, queiram fazer a obra pia de ser meos testamenteiros e a qual quer mais que aceitar deixo o premio de duzentos mil reis, e dous anos para prestação de contas.
Esta minha ultima vontade e disposição para depois da minha morte, e por este testamento revogo qualquer outro.
Em firmesa do que pedi a Felisberto Gonzaga Pinto que este escrevesse e eu me assigno de próprio punho.
Cidade de Grão Mogol, cinco de março de mil oitocentos e secenta e treis.
Caetano Martins Pereira.
Termo de Juramento e Declaração do Inventariante
Aos quinze dias do mês de outubro de mil oitocentos e secenta e quatro nesta cidade de Grão Mogol e casa do Casa do Coronel Modesto Ferreira Carneiro, primeiro substituto do Juiz Municipal e Orphãos do Termo, onde eu escrivão vim, sendo ahi perante João Baptista Martins, testamenteiro do finado seo pai Caetano Martins Pereira, por elle Ministro lhe foi deferido o juramento dos Santos Evangelhos na forma da lei, de baixo da qual lhe encarregou que declarasse o dia em que tinha falecido seu dito pai, se tinha feito algumas disposições testamentarias, quais os herdeiros que lhe haviam ficado, que idade tinhão e que desse a carregação todos os bens sem ocultar algum de baixo das penas da lei. E sendo por elle aceito o dito juramento declarou que o sobredito seo pai falleceu nesta cidade no dia vinte oito de abril do corrente anno fasendo testamento e codicilo, dos quais as copias ja se achão juntas ao principio deste deixando os filhos cujos nomes e idade declarara no Titulo de Herdeiros e que prometia dar a carregação todos os bens debaixo das penas da lei, que lhe haviam sido cominadas, declarando mais que o herdeiro Ramiro Martins Pereira elaborava em um engano quando alegou em um requerimento seo, juncto a estes autos que o inventario a que se procedeo por falecimento de sua finada mãi Dona Josefa Carolina Dias Bicalho, ainda se achava por concluir e que não tinha ainda feito as partilhas, por quanto tanto o inventario como as ditas partilhas já se achão findos como adiante se ve faltando somente inteirar-se os herdeiros de suas legitimas. E de tudo para constar lavrei este em que se assigna com o dito Juiz. Eu, Juvenato Brunno Rodrigeus e Silva, Escrivão, que o escrevi. (a) Carneiro. João Baptista Martins.

Titulo de herdeiros:

1º João Baptista Martins, 39 annos
2º Gualter Martins, 38 annos
3º Francisco Martins, fallecido, deixando uma filha de nome Emigdia, de 4 annos
4º Doutor Joaquim Martins Pereira, 32 annos
5º Donna Maria Vicencia, casada com Lisardo de Sá e Silva Dotte
6º Doutor Pedro Martins Pereira, 27 annos
7º Emigdio Martins Pereira, 26 annos
8º Ramiro Martins Pereira, 24 annos
9º Gasparina, 9 annos
10º Filomeno, 6 annos
11º Maria Balbina, 4 annos

Quinhão de Partilha

Quinhão que os partidores deste Juizo, Antonio Alves Benjamin e Antonio Heduvirges São Tiago fazem ao cabeça de casal Caetano Martins Pereira, se sua meação que há da quantia de cinco contos seiscentos e vinte treis mil, cento e noventa e sete reis, que vão a margem desta linha, os quaes são inteirados pela forma e maneira do theor seguinte:
Haverá na escrava Mauricia, avaliada por trezentos mil reis a quantia de trinta e quatro mil e trezentos e noventa e quatro reis, qua vae a margem desta linha.
34$394
Haverá o mesmo cabeça de casal Caetano Martins Pereira, na casa desta villa, a quantia de seiscentos, digo, secenta e oito mil, cento e hum reais, os quais vai a margem desta linha.
68$101
Haverá tão bem o mesmo inventariante cabeça de casal em sua meiação na casa da Serra do Grão Mogol a quantia de trezentos e quarenta mil reis, os quais são a margem desta linha.
340$000
Haverá tão bem o cabeça de casal Caetano Martins Pereira, em sua meiação na parte de terras em comum na serra do Grão Mogol a quantia de quarenta e seis mil, setecentos e dous reis, com que se sae a margem
46$702
Haverá o mesmo cabeça de casal Caetano Martins Pereira, em sua meiação, um cavalo no valor de dez mil reis, os quais sae a margem desta linha
10$000
Haverá o cabeça de casal desenove cabeças de gado de toda a sorte, de criar, a oito mil reis por cabeça, todos por cento e cincoenta e dois mil reis, que sae a margem
152$000
Haverá tão bem duas bestas moar encangalhadas a oitenta mil reis cada uma, cento e secenta mil reis por ambas duas, com que se sae a margem
160$000
Haverá o cabeça de casal, em sua meiação, um catre de armação , em seu valor de des mil reis, com que se sae a margem deste
10$000
Haverá o mesmo cabeça de casal Caetano Martins Pereira, dois pares de caixas, no valor de oito mil reis, que sae a margem
8$000
Haverá o mesmo cabeça de casal Caetano Martins Pereira, dois selins de montaria de senhora, a vinte mil reis cada hum, quarenta mil reis por ambos, com os quais se sae a magem
40$000
Haverá o cabeça de casal, dois taxos de cobre, ambos no valor de vinte e quatro mil reis, com os quais sae a margem desta linha
24$000
Haverá mais em sua meiação, o escravo Gonçallo, no valor de oitenta mil reis, com que se sae
80$000
Haverá o escravo João Gago, em seu valor de quatrocentos mil reis, com que se sae
400$000
Haverá o escravo Aleixo, pardo, em seu valor de quinhentos e cincoenta mil reis, com que se sae a margem deste
550$000
Haverá o escravo Joaquim, em seu valor de quatrocentos mil reis, que sae a margem
400$000
Haverá o cabeça de casal Caetno Martins Pereira, a escrava Florinda, com sua avaliação de cem mil reis, com os quais se sae a margem desta linha
100$000
Haverá tão bem o cabeça de casal a escrava Sabina, em seu valor de quatrocentos mil reis, com os quais se sae
400$000
Haverá o cabeça de casal o escravo Felippe, em seu valor de quinhentos mil reis, que nsae nesta linha a margem
500$000
Haverá o escravo Carlos, em sua avaliação de trezentos mil reis, que sae
300$000
Haverá o escravo Filiciano, em sua avaliação de quinhentos mil reis, com que se sae
500$000
Haverá a escrava Ritta, em sua avaliação de quinhentos mil reis, que se sae
500$000
Haverá o cabeça de casal a escrava Rosa, em sua avaliação de quinhentos mil reis, com os quais se sae a margem
500$000
Haverá o cabeça de casal a escrava Firmina, , em sua avaliação de quinhentos mil reis, com os quais se sae
500$000
Somam as referidas parcelas de cinco contos, seiscentos e vinte e treis mil cento e noventa e sete reis, com os quais se sae a margem desta linha
5:623$197
Inteirado
E por esta forma ouverão (houveram) os Partidores este quinhão por inteirado com os bens que no mesmo se mostra, ao Juiz houve por bem adjudicados, do que para constar mandou faser este termo de encerramento de quinhão, em que se assigna com os Partidores, depois de ser lido este por mim escrivão em tudo axarem conforme e assim havião feito. Eu, José Dias de Oliveira Sousa, escrivão de órfãos, o escrevi. (as) Agnaldo – Antonio Alves Benjamin – Antonio Heduvirges São Tiago.

Comentário do site: Simples observação, sem nenhuma intenção de iniciar discussão a este respeito: No patrimônio declarado para partilha, os escravos representam 85% do valor total.
A importância maior deste testamento, sem dúvida, é a listagem dos herdeiros deixada pelo próprio patriarca Caetano Martins Pereira.
Além disto os dados definem, através de simples subtrações, o ano de nascimento de cada um dos filhos dos quais está registrada a idade na data do testamento. Infelizmente ficamos sem poder determiknar por este método os anos de nascimento de dois filhos: Francisco e Maria Vicência. Mas por interpolação teremos essas datas com razoável aproximação.

OS RAMOS DA ÁRVORE

Eu deveria começar mostrando a descendência pelas gerações: Primeira, segunda, terceira, etc. Seria o caminho mais lógico.
Mas um dos descendentes de Caetano, o Ramiro Martins Pereira já me bombardeou essa intenção, logo de cara. Explico: Ao casar-se com a sobrinha Idalina, filha de sua irmã Maria Vicência e fazer-se pai de Idalina Filha, atrapalhou o meu projeto. Porque a Idalina Filha pertence à segunda geração (sendo neta de Caetano por parte de pai : linha Caetano – Ramiro – Idalina Filha) mas também à terceira geração (sendo bisneta de Caetano por parte de mãe: linha Caetano – Maria Vicência – Idalina Mãe – Idalina Filha). Então vamos começar pelos filhos e ir explicando sempre que houver alguma possibilidade de confusão nas gerações.
Caetano Martins Pereira
Nascido em Itacambira – MG , em 1.790. Filho de Antônio Martins Pereira e Francisca Mariana de Paula.
Casado com Josepha Carolina Dias Bicalho Martins Pereira, com a qual teve os seguintes filhos:
1 – João Baptista Martins Pereira, fazendeiro, nascido em 1.825
2 – Gualter Martins Pereira (Barão de Grão Mogol), nascido em 1.826
3 – Francisco Martins Pereira, fazendeiro, nascido por volta de 1.829
4 – Joaquim Martins Pereira, médico, nascido em 1.832
5 – Maria Vicência Martins Pereira, após o casamento, Maria Vicência Martins de Sá e Silva Dotte, nascida por volta de 1.835
6 – Pedro Elias Martins Pereira, advogado e jurisconsulto, nascido em 1.837
7 – Emigdio Martins Pereira, fazendeiro e oficial dos Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai, nascido em 1.838
8 – Ramiro Martins Pereira, fazendeiro e oficial dos Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai, nascido em 1.841
Há ainda outros dois filhos desse casal, que Caetano não nomeia no testamento apesar de incluir no total e que provavelmente faleceram pequenos ou pelo menos solteiros, não deixando herdeiros.
Viúvo, teve com Anna da Mota a seguinte filha:
9 – Gasparina, nascida em 1.855
E com Liocadia Munís:
10 – Filomeno Orlando, nascido em 1.858
11 – Maria Balbina, nascida em 1.860

Pelas informações que tenho, a serem confirmadas, os filhos ditos pela legislação da época “legítimos”, com a esposa Josefa Carolina, nasceram em Itacambira e Grão Mogol, na fazenda Santo Antônio. Já os três últimos, reconhecidos como herdeiros pelo pai, nasceram na Chapada Diamantina, Bahia e provavelmente ficaram lá com as mães, quando Caetano voltou a Grão Mogol.
Se alguém tiver informação sobre estes filhos e seus descendentes, agradeço encaminhar-me, para, após confirmação, incluir na árvore familiar.

Crédito foto: Eduardo Gomes, em Panorâmio

 

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