2 – Gualter Martins Pereira

2 – GUALTER MARTINS PEREIRA

(Veja a página Dados Biográficos do Barão de Grão Mogol, neste site)

É o segundo filho do casal Caetano Martins Pereira e Josefa Carolina Dias Bicalho Martins Pereira. Nasceu na fazenda Santo Antônio, freguesia de Itacambira, pertencente à vila de Grão Mogol, em 1.825.
Foi fazendeiro, explorador de diamantes em Grão Mogol e na Chapada Diamantina, coronel e comandante da Guarda Nacional, negociante de diamantes, Deputado Provincial em Minas Gerais, Vereador e Presidente da Câmara de Vereadores em Rio Claro – SP, maçon no grau 33 e fundador de Loja Maçônica de Grão Mogol, juiz de direito em Minas Novas – MG, barão do Império do Brasil e ao indicar a profissão, em documentos oficiais, declarava-se “capitalista”.
Antes de apresentar a descendência dele, veja o testamento, que dá base às informações mostradas depois.

Testamento e Codicilo – Juizo da Provedoria do Termo  de  São João do Rio Claro

Maço A-004 – Arquivo Geral do Forum da Comarca de Rio Claro    

 

Testador: O Cidadão Gualter Martins        

1º Testamenteiro: Comendador Joaquim José Rodrigues Torres

1º Testamento: 17 de julho de 1890 Codicilo: 1O de novembro de 1890 Escrivão: E.B.T. de Toledo

Tabelião: Heliodoro Antonio da Costa Ferreira

“Em nome de Deus em que fielmente creio, em cuja fé, crença tenho vivido e espero morrer, estando enfermo, porém em perfeita integridade de minhas faculdades e pleno uso de toda a  razão mercê de Deus, faço este testamento em que deixo consignada minha vontade para ser fielmente cumprida pelos meus testamenteiros e herdeiros aos quais peço cumpram e  façam cumprir em todas as partes não se opondo a elas por modo algum. Este é o meu  testamento e disposição de minha última vontade.

Declaro que sou brasileiro, filho legitimo de Caetano Martins Pereira e de Dona Josepha Carolina Martins, já falecidos, nascido na freguesia de Itacambira – termo da cidade de Grão Mogol – Estado de Minas, casado com Dona Emília Martins Pereira (Baronesa de Grão Mogol) de cujo conscício existem três filhos, que na forma das leis vigentes são herdeiros legítimos das duas partes da minha meação.

Si eu falecer nesta fazenda Angélica, de minha propriedade e onde resido, desejo a meus restos sejam inhumados no Cemitério em sepultura funda juntamente com os restos de meu tio e amigo Francisco Martins Pereira, os quais se acham  no sotão da casa de minha residência em uma urna fechada.

Si porém der-se o meu falecimento fora daqui é meu desejo que os restos referidos sejam transladados. para a minha sepultura já mencionada; e quando não possa ter este lugar na mesma ocasião do meu enterro, ao menos logo que seja possível.       

Quero que minha terça seja distribuída do seguinte modo: A Casa de Caridade de Rio Claro, um conto de reis, ao Gabinete de Leitura da mesma cidade, um conto de reis, a Casa de Caridade de Grão Mogol, um conto de reis, aosmenores que criei Frederico e Julio um conto de reis  a cada um, a Justina, mulher de Malachias, Maria Rosa, mulher de Francisco, Catharina mulher de Antônio, Honorina, mulher de Serapião, Vicência, . mulher de Gabriel, cem mil reis a cada uma, ao casal do Capitão Germano dos Anjos Silva, residente em Salinas, Estado de Minas, Alfredo,  Mariano, Julia, Elisa e Isabel, estes três do casal de Joaquim Martins e Rosalina Martins, Elvira e Leandro filhos de Lusia, dois contos de reis a cada um; a minha mulher se dará da minha terça um carro e competente parelha e assim também a meu filho Sérgio Martins iguais objetos, isto é, carro e parelha dos valores cada um deste legado da quantia de três contos de reis; a Julieta, filha de Catharina Maria, um conto .de reis cada uma. A remanescente de minha terça será em igualdade, repartida pelas pessoas seguintes: Gualter, Theodoro, Francisco e Henrique Martins, Flora Maria e a Julia a quem deu a luz, Fortunata, atualmente em gravidez, sendo que a identidade das duas últimas deverá ser atestada pelos legatários maiores Gualter e Theodoro.

Declaro que sou curador de minha infeliz filha Mathilde Martins Moreira, judicialmente interdita por sofrimentos da mentalidade e atu.almente como pensionista de primeira classe no Hospício Nacional de Alienados da Capital Federal e que em tais condições pelo meu falecimento perdendo seu protetor natural na minha pessoa, indico, nomeio e peço que seja aprovado e nomeado pela justiça de meus país em minha substituição no dito encargo da curatela da interdita minha filha o seu irmão Sérgio Martins Pereira, em quem reconheço toda a capacidade, zelo e interesse para com ela exercer o dito encargo, independente de fiança, deixando de invocar minha prezada mulher, digo, deixando de invocar para essa nobre e sagrada missão, a sua mãe, minha prezada mulher por isso não ser um direito permitido as mulheres, declarando, como pelo presente declaro, em consciência ser o indicado, o mais competente de todas as pessoas de minha familia para esse nobre e sagrado encargo, não devendo em caso algum ser lembrado o meu genro Desembargador José Avalia esta parte em cem alqueires mais ou menos de terras baixas, de segunda e terceira qualidade em dez contos de réis, onze mil pés de café formados em onze contos de reis, dez mil pés de ano, a quatro contos de réis, setenta mil pés alinhados agora a duzentos réis, catorze contos de réis, total destas partes, trinta e nove contos de reis em benfeitorias existentes, que consistem em casas de colonos, doze contos de réis ao todo cinqüenta e um contos de réis, se este valor não chegar para o inteiro remanescente da te.rça seja ele inteirado com terras no alto da floresta, na razão de quinhentos mil réis cada alquelre (5.000 braças quadradas) preço pelo qual foi avaliado todas elas, que peço a justiça o haja por aprovado e caso, não seja, então os legatários terão as que lhe couber pelo preç,o da avaliação geral em terras altas.

Proíbo que os legatários do remanescente, confissão já feita, receberem o que lhes couber em dinheiro, ou então valores, e só e unicamente nos bens mencionados. Estes bens serão conservados em comum até a emancipação dos seus donos: querendo, os conservarão ao mesmo modo ou venderão a vontade.

Quero que do produto da lavoura se façam  as despesas da criação e educação dos menores, dando-se  rateio. anual  no que  houver  de lucro; estes lucros serão então empregados em ações de estradas de ferro a mais próspera. Algum dos legatários maiores, sob a apreciação  do respectivo testamenteiro,  se incumbirá da administração dos bens dos legatários do remanescente em geral, por cujo encargo lhe será abonado em ordenado, deduzido dos respectivos rendimentos. O dito administrador prestará contas ao testamenteiro no fim de cada ano.

Aos mencionados maiores dar-se-á uma educação trivial, a aos menores Francisco e Henrique, educações  ilimitadas, formando-se em alguma ciência para que se mostrarem mais aptos. Declaro constar somente o passivo da minha casa dos títulos por mim firmados a meu correspondente da praça de Santos, Prates & Filhos, não incluindo um crédito de dez contos de reis por mim, firmado ao meu mencionado genro Desembargador José Ribeiro de Almeida Santos, por já se achar pago em dinheiro de empréstimo e fornecimentos por mim e por minha. co·nta feitos a ele, muito superior a mencionada quantia que o mesmo, confio não constes para a conta, digo, contestará e consta de nossa correspondência em meu poder e dos meus ditos correspondentes Prates & Filhos: sendo de minha vontade que minha mulher e meus herdeiros dele não reclamarão a exceção referido, ficando saldo com o dito crédito em seu poder liquidado todo a deve e haver de nossas contas, nomeio meu testamenteiro para  cumprimento  destas  últimas  minhas  vontades  a  meus amigos:  em  primeiro  lugar Comendador Joaquim José Rodrigues Torres, em segundo lugar Joaquim José de Sá e terceiro lugar minha mulher a mencionada Barones.a de Grão- Mogol em quarto e quinto lugar os doutores Pedro Martins e Clementino Canabrava, aos quais peço  queiram  em afeição por mim e prestação em mim, aceitem este onereso encargo, servindo na falta de qualquer um deles cada um na ordem de sua colocação até o último; ao que servir deixo a quantia de. cinco contos de reis em remuneração do trabalho de .testamenteiro. Declaro que além do passivo já referido constante do título por mim assinado, sou devedor por meus apontamentos um título que firmei a dona Amélia do Valle, dois contos e duzentos mil réis proveniente de um diamante que deu-me a vender e de que se acha em desembolso; a José de Souza Praxedes, três contos de reis de serviços  que me tem prestado com lealdade e atividade, mais corno amigo do que como empregado; e porém, já não existir depois de mim deverá  esta  quantia  reverter  a  meu  afilhado,   segundo   a  vontade   do  mesmo  a  mim manifestada.

Flora, filha de Maria Rosa e Elisa filha do casal de Joaquim Martins e Rosa Martins e Dona Amália Ferreira do Prado, um conto de reis de ordenado de administradora da casa a Fortunata e Luísa, quinhentos mil reis cada. uma também de serviços a minha casa, a herdeira de Joaquim Dias Bicalho meu finado tio e amigo um conto de reis, quantias que deverão ser entregues aos que comparecerem depois da chamada por editais com o prazo das leis vigentes pela Justiça da cidade de Grão Mogol, Estado de Minas, para onde a quantia ao cuidado de meu testamenteiro deverá ser remetida. Rogo com instancia aos meus testamenteiros, assistam com a sua proteção, auxílio e conselho criteriosos sempre, a minha mulher e ao meu filho Sérgio em tudo em que, sua nunca desmentida amizade a mim lhes possa prestar em qualquer circunstância da vida e encargos que meu falecimento lhes advenham na administração, liquidação e partilhas dos bens de meu casal e posterior necessidade de um auxiliar . Também a dita minha mulher e filhos, peço e . recomendo com a instância de afeição que lhes tributo e a bem de suas prosperidades que aos ditos meus testamenteiros, digo meus amigos e testamenteiros ouçam e peçam conselhos e nas ocasiões de proceder a atos importantes dos encargos advindos de meu falecimento .

É de direito e de minha especial vontade que seja Inventariante dos bens de minha casa minha mulher, e, na falta desta por qualquer circunstância imprevista, o meu filho Sérgio, em razão de serem as pessoas .conhecedoras dos bens que possuo, dos negócios e direitos a nossa casa pertencentes. Declaro que pelo presente meu testamento e disposição de minhas últimas vontades, revogo e quero que sejam de pleno direito proscritos os testamentos anteriores por mim feitos que aparecer possam. Declaro também que é minha vontade que qualquer dos legatários que faleça antes de ter tocado a idade de maior por qualquer dos meios por lei permitidos a parte que no legado lhe tocar 1 passará por inteiro a seu ex legatário, únicos a .quem assiste o direito de visarem a herança; e se todos legatários não atingirem a referida idade maior, então todos os legados ficarão pertencendo a um estabelecimento de caridade da cidade de Rio Claro, escolhido ao arbítrio da municipalidade. Declaro finalmente que o presente testamento é reproduzido em três originais idênticos, do mesmo teor para valerem como se um só fosse quando qualquer deles, por meu falecimento seja apresentado em Juízo para o abrir e fazer cumprir, não estando violado por qualquer forma externa ou internamente e devidamente aprovado pelo oficial público competente por direito para o aprovar e encerrar a fim de, como disposição de última vontade surtir os efeitos legais cujos originais ditei e fiz escrever pelo Doutor João dos Santos Sarahyba e depois de por mim lido e verificada a verdade deles, segundo a minha vontade a todos assino de meu punho e firma de que uso. Fazenda Angélica, 17 de julho de 1890. Gualter Martins.”

 

Testamento e Codicilo – Juizo da Provedoria do Termo  de  São João do Rio Claro

Maço A-004 – Arquivo Geral do Forum da Comarca de Rio Claro   

 

Testador: O Cidadão Gualter Martins

1º Testamenteiro: Comendaqor Joaquim José Rodrigues Torres

1º Testamento: 17 de julho de 1890

Codicilo: 1º de novembro de 1890

Escrivão: E.B.T. de Toledo

Tabelião: Heliodoro Antonio da Costa Ferreira

 

“Em nome da Santíssima Trindade, Padre, Filho e Espírito Santo em que eu Gualter Martins, firmamente creio e cuja fé protesto viver e morrer. Este é o meu Codicilo, em aditamento ao meu último testamento feito este ano aprovado pelo tabelião Heliodoro Antonio da Costa Ferreira.

Declaro que os legatários Alfredo Martins Pereira, Josepha Carolina Martins, Moema  Carolina Martins, hoje casada com Firmino José de Sá, Julia, Elvira e Isabel, estas três filhas  do casal de Joaquim Martins e o Capitão Germano receberão seus legados livres de  impostos, os quais serão pagos na força de minha terça. Deixo a Philadelpho Antonio  Machado, como remuneração dos serviços que prestou-me durante minha enfermidaqe, a  quantia de quatro contos de réis. Deixo a Hermelino Avelino Ferreira a quantia de um conto  de reis, como remuneração a serviços a mim prestados. Os legatários Gualter Martins do  Valle, Theodoro Martins do  Valle, Flora Martins, Maria Martins, Elvira Martins, filha de  Vicencia, Maria Onizia, filha de Honorina, Angélica e Leonor, filhas de Fortunata, Francisco, filho de Maria Rosa, Leôncio, filho de Luzia, Julieta, filha de Catharina, aos quais legatários deixo em meu referido testamento a quantia de cinco contos de reis a cada um, em terras na Floresta e bem assim Henrique, filho de Lívia ao qual também deixo seis contos de reis em terras na mesma Floresta, legatários estes em número de doze, ficarão com as terras da Floresta e benfeitorias nelas existentes, repartidos com igualdade entre todos estes legatários, sendo que  as divisas desta terras já descrevi em meu testamento. Declaro que a estes doze últimos legatários deixo ainda o remanescente de minha terça. Declaro ainda que nomeio tutor e administrador dos bens dos meus legatários menores, em primeiro lugar ao Comendador Joaquim José Rodrigues Torres, em segundo lugar ao Doutor Clementino Ribeiro de Novaes Canabrava e em terceiro lugar a Gualter Martins do Valle, a cada  um dos quais dou por abonado em juízo.  Sendo estas as últimas digo, estas as alterações que faço em meu referido testamento, as quais estão de conformidades com a minha última vontade, fica este codicilo fazendo parte integrante do último testamento, o qual ratifico em todas as partes que não foram alteradas por este codicilo, tendo sido este escrito segundo as minhas instruções por Heliodoro Antonio da Costa Ferreira e assinado unicamente por mim Gualter Martins, codicilo que li e achei conforme . Angélica 10 de novembro de 1890. Gualter Martins.”

Gualter Martins Pereira casou-se  com dona Emília de Sá Martins Pereira, sua prima,  com quem teve três filhos:

2.1 – Mathilde Martins Pereira

2.2 – Orlinda Martins Pereira, nascida em 1.851

2.3- Sérgio Martins Pereira, nascido em 1.852

Além desses filhos, com a baronesa de Grão Mogol, legitimou filhos que teve fora do casamento, dando a eles o sobrenanome de família, Martins  ou Martins Pereira. Registro aqui os que ele relatou no testamento e aos quais deixou herança, seguindo a ordem usada por ele, sem compromisso com a cronologia real de nascimento. Coloco ainda o nome das mães, quando ele citou. Entretanto, advirto aqui que o testamento do barão não é a única fonte de referência. Tenho recebido documentos confiáveis dos colaboradores do site (principalmente registros de cartórios) e em função deles faço as alterações cabíveis, indicando as fontes, quando isso ocorrer.

2.4 –  Alfredo Martins Pereira

2.5 – Mariano Martins

Os filhos indicados com os códigos 2.6 até 2.11 são irmãos de pai e de mãe. 

A mãe era dona Amélia do Valle. Este relacionamento configura na verdade uma segunda família do barão, pois os filhos receberam contínua atenção do pai, instrução, herança e principalmente uma posição na sociedade. A filha mais velha, Josepha Carolina, casou-se com um advogado e juiz, filho do barão de Gorutuba e a segunda filha, Moema Carolina, com um membro da família Sá, oficial da Guarda Nacional.

2.6 –  Josepha Carolina Martins, nascida em 1.863

2.7 – Moema Carolina Martins

2.8 – Gualter Martins do Valle

2.9 – Theodoro Martins do Valle, nascido em 1.870

2.10 – Henrique Martins do Valle

2.11 Francisco Martins do Valle

2.12 – Flora Martins

2.13 – Maria Martins

2.14 – Elvira Martins, filha de Vicência

2.15 – Maria Onizia Martins, filha de Honorina

2.16 – Angélica Martins, filha de Fortunata

2.17 – Leonor Martins, filha de Fortunata

2.18 – Júlia Martins, filha de Fortunata

2.19 – Francisco Martins, filho de Maria Rosa

2.20 – Leôncio Martins, filho de Luzia

2.21 – Julieta Martins, filha de Catharina

2.22 – Henrique Martins, filho de Lívia

Gualter Martins Pereira faleceu em sua fazenda Angélica, município de Rio Claro, em 15 de dezembro de 1890, portanto no mês seguinte ao que assinou o codicilo, complemento ao testamento.

 

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